sexta-feira, 22 de agosto de 2014
A dois
quarta-feira, 20 de março de 2013
domingo, 10 de abril de 2011
Carreteur

segunda-feira, 21 de março de 2011
Angústia

Hoje o dia amanheceu ainda mais belo, com um dourado esplêndido brilhando sobre as folhas verdes da mangueira de meu quintal.
O mundo em silêncio. Ouço alguns sons de pássaros a cantar, carros a trafegar e a sua voz ainda a ecoar em meu pensamento: “Mas não entendo o porquê... Se tivéssemos nos conhecido antes...”
A felicidade aflorou por alguns instantes. Alegrei-me! Mas essa angústia que teima em não me abandonar. Dor da culpa de um coração movido ao pecado, constantemente tentado a te amar.
Desmoronei... Ri e chorei tentando libertar-me dessa angústia que dilacera minha alma. Coração não-cadenciado.
Porque um lado de mim é só alegria e o outro grita na vastidão da agonia.
Quero sumir para qualquer lugar onde eu me satisfaça.




domingo, 20 de março de 2011
Imensidão
O pôr-do-sol da praia estava lindo. O sol escondendo-se no horizonte e reluzindo nas águas do mar, que cintilavam como diamantes lapidados.
A orla movimentada como todos os dias. Os carros indo e vindo. Os elevadores dos grandes prédios não cessavam. As pessoas a caminhar, correr ou pedalar pelo calçadão e aquelas que pareciam fugir de um vazio interior a penetrar os mais vis desejos de suas almas, na areia da praia, sentadas frente a imensidão.
Era assim que ela se sentia. Sentada na areia, a contemplar o belo espetáculo da natureza, dava um tempo para si mesma, para entender seus sentimentos e sua variação diária de humor. Um dia sentia-se leve como pluma, em outro, o conforto abria espaço para inconformidade e uma determinação para mudança enchia seu peito. Entretanto, naquele dia, não sabia ao certo que tipo de sentimento predominava, nem quais eram as suas reais vontades, só conseguia sentir um vazio profundo. Algo estava faltando!
Levantou-se subitamente em um impulso rápido e preciso e pôs-se a caminhar. Não suportava suas incertezas e inseguranças. Permanecer sentada e imóvel não solucionaria suas crises. Resolveu então distrair-se com as pessoas que, como ela, caminhavam sem destino certo.
Em seu lado direito a imensidão engolia o sol trazendo-lhe calma. Em sua esquerda os carros tomavam suas direções gerando um movimento e ritmo que lhe ocasionava náuseas. Passou a olhar apenas em uma direção. Seu olhar distante, profundo e penetrante parecia procurar algo no infinito. Muito ao longe ela vê um rapaz vindo ao seu encontro. Seu olhar, muito semelhante ao dela, era constante, não desviava do além.
Era um rapaz muito simpático, moreno, alto e de médio porte. A cada passo que dava na direção dela, seu sorriso expandia-se. Mostrava-se encantado com a formosura daquela mulher.
Ela caminhava a passos curtos e lentos, procurando sentir o aconchego da brisa que lhe trazia calma e expelia suas ansiedades. Vestia um traje longo florido e azulado, chapeu azul turquesa com rendas brancas e os cabelos pretos brilhantes reluzindo com o reflexo do sol nas águas do mar. Sua curiosidade aumentava a cada passo que dava em direção ao rapaz. Ainda não o reconhecera.
Quando estavam a alguns poucos passos de distância, ela consegue reconhecê-lo. Era alguém que vira duas ou três vezes no máximo e trocara algumas palavras sobre os dias quentes de verão. Ele aproximou-se e com um belo sorriso ainda mais expressivo inclinou um pouco a cabeça para o lado direito e deu-lhe um beijo pouco estralado em sua face, como já fizera outrora.
Ela fechou os olhos, não conseguia entender o que estava acontecendo. Em um instante atrás estivera tão angustiada que seu coração esteve a ponto de cessar seu ritmo e agora seu coração passa a pulsar com uma certa euforia, ainda que discreta. Depois do beijo, ela permaneceu alguns segundos imóvel tentando recobrar os sentidos. Não sabia o que dizer, até que ele quebra o silêncio:
- Olá, moça bonita!
Ela sorrir e meio sem graça responde um tímido olá.
Como por um impulso, ela vira-se um pouco em direção ao mar, não queria que ele enxergasse além dos seus olhos seus sentimentos. Sentia-se feliz agora. Ele era a única pessoa que ela gostaria que estivesse ali naquele instante.
De repente ela percebe algumas nuvens tomar conta do céu e o azul vai dando lugar a escuridão. Um vento forte e frio começa a soprar causando um certo arrepio e pavor. Então ela exclama:
- Vai chover!
E ao virar o rosto na direção do jovem moço nota que ele não está lá. Nunca estivera.
A chuva começa a cair e ali ela permanece até o novo raiar do dia. Solitária frente à imensidão.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Os sonolentos
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Eu tentei...

domingo, 12 de setembro de 2010
Always

Fiz de tudo para apressar-me, afinal havia perdido tantos dias sem a sua presença... Como eu poderia supor que encontro assim seria possível, um dia? Pensei em esperar-lhe na praia como se nada houvéssemos planejado... Recitei um ou dois poemas e decidi não elogiá-la “- Como estais bela!” Soaria ridículo, típico de um arrependido. Como se eu nunca tivesse percebido suas feições.
Aproximava-se e um sorriso surgiu, abaixara seus olhos como se já não houvesse incendiado os meus. Não sei explicar-lhe por qual sentimento fui inundado, mas inundado é sim a verdadeira palavra.
Abracei-a e beijei-a onde era permitido.
“- Como estais bela!” – Sorriu. Ainda mais graciosa que antes, guardando as lembranças para mim mesmo.
- Demorei?
- Não, não. Cheguei um pouco mais cedo. O bastante para ver as ondas. Tu sabes, não é, que hoje está fazendo a mais alta maré dos últimos 5 anos?
- Exatos anos que não te vejo...
Contou-me um pouco sobre a vida. Com o que ocupava suas horas. Falou-me do trabalho, da universidade, das artes marciais e do hipismo ...
- Sonhei contigo outra noite, antes de te convidar para este encontro.
- Encontro? – sorriu.
- Bem... – balancei a cabeça.
- Como foi o sonho?
- Acho melhor não te contar...
- Nossa... Foi tão ruim assim?
- Pelo contrário! – Insistiu ao ponto que não pude mais calar.
- Estávamos em minha casa... E você me esperava em...em meu quarto.
- Continue.
- É... a noite foi maravilhosa. – Imaginei se esta noite tivesse acontecido. Nossa primeira vez. Aquela que nunca se concretizara.
- Nossa. – Permaneceu em silêncio com um sorriso contido, fitando as ondas.
Caminhamos um pouco. Falamos sobre casamento, viagens e sonhos. Ela parecia tão crescida, contida, sensata. Impressionei-me e temi todos aqueles anos passados.
- Pensas em casar? – questionei-a.
- Às vezes.
- Fico pensando. Você sabe que se casar ele será o último homem de sua vida, não é?
- Não. Não havia pensado nisto.
Comprei-lhe uma água de coco e ela prometeu pagar-me um sorvete em outra oportunidade. Reclamou que estava velho, mas não quis trocar comigo, fingindo saborear o caldo aguado. Sentamos em meio às árvores.
- Posso te fazer uma pergunta?
- Claro.
- Porque não me procuraste depois de tudo? Bem, eu... Mesmo por tudo que te fiz esperava uma reação mais intensa. Um tapa na cara, talvez.
- Eu? Eu não iria atrás de ti. Você havia errado. Para mim a sua confissão dizia-me que não me amavas mais. Por que eu iria insistir em algo que não era mais meu? Não faz sentido. Eu queria te ver feliz. Por isto fui embora.
- Sabe eu... Eu temi este encontro. Tive receios de não me conter.
- De não se conter? – interrogou-me.
- De te beijar. – Abaixou a cabeça, mas não consegui encontrar sorriso algum. – Eu era tão novo, sabe. E o nosso relacionamento havia ficado tão sério. Eu tinha medo de perder os momentos. Até que percebi que eu não perdi nada a não ser você.
- Passaram-se 5 anos... – ela me olhou e levou-me junto em suas lembranças.
- Eu esperei uma palavra, uma desculpa. E você me esperava também. E assim passaram-se 5 anos.
A música que havia lhe dedicado finalmente fazia sentido:
“It's been raining since you left me
Now I'm drowning in the flood
You see I've always been a fighter
But without you I give up…”
Levantou-se e se afastou bruscamente. Continuei sentado olhando-a. Voltou-se para mim e meu coração disparou quando senti o cheiro de seu abdômen roçar o meu rosto. Seria aquele o momento onde tudo seria revisto. Não importava nada mais, não importava as horas, eu a teria outra vez...
Beijou-me e sussurrou-me triste.
Naquela noite cinco estrelas alinharam-se ao leste...
Meu corpo todo tremia. Sentado, perto da praia, ele me esperava. Fingi no primeiro momento não reconhecê-lo. Talvez isto doesse um pouco. Como se o tempo tivesse apagado mais que sentimentos... Infelizmente, deixei escapar um sorriso assim que me aproximei. Seus olhos não eram algo que eu pudesse ignorar.
Abraçou-me e beijou-me no mínimo formal.
“- Como estais bela!”- elogiou-me em seguida.
- Demorei?
- Não, não. Cheguei um pouco mais cedo. O bastante para ver as ondas. Tu sabes, não é, que hoje está fazendo a mais alta maré dos últimos 5 anos? – questionou-me como se quisesse disfarçar uma suposta inquietação.
- Exatos anos que não te vejo...
Conversamos um pouco sobre o cotidiano. Com o que ocupavas suas horas. Falou-me dos projetos, da família, do sonho de aviação e do veleiro.
- Já comprou os salva-vidas? Sabes que temo um pouco o oceano. – brinquei.
- Não deixaria que nada lhe acontecesse...
- Sonhei contigo outra noite, antes de te convidar para este encontro. – cortou-me o olhar de suas últimas palavras. Sabia que não havia cumprido suas promessas.
- Encontro? – indaguei para deixá-lo sem graça. Suas bochechas geralmente ficavam vermelhas.
- Como foi o sonho?
- Acho melhor não te contar...
- Nossa... Foi tão ruim assim? – quis desafiá-lo para que me revelasse o fato.
- Pelo contrário!
- Estávamos em minha casa... E você me esperava em...em meu quarto.
- Continue. – instiguei-o interessada.
- É... a noite foi maravilhosa.
Lembrei daquele dia, na cozinha, nossos corpos tocando desajeitadamente, pela primeira vez. Poucos momentos tivemos. Uma única oportunidade que fora perdida. Dei-me conta de meus pensamentos e temi qualquer postura de melancolia, mas pegou-me fitando as ondas, absorta.
Caminhamos um pouco. Ele pareceu-me diferente. Diferente daquele menino que havia conhecido tantos anos atrás. Era outro, mais simples, mais vivido, mais intenso e menos sensato. Era um homem.
- Você sabe que se casar ele será o último homem de sua vida, não é? – interrogou-me enquanto conversávamos.
- Não. Não havia pensado nisto. – Mas, pensei. Bem mais em seu contexto que na decodificação de suas palavras. Por que ele perguntava-me aquilo? Queria lembrar-me que o casamento nos separaria para sempre? Como se já não houvesse passado 5 anos...
Sentamos em meio às árvores. Anoitecia.
- Posso te fazer uma pergunta? – questionou-me.
- Claro. – respondi segura. Mas era tudo fingimento.
- Porque não me procuraste depois de tudo? Bem, eu... Mesmo por tudo que te fiz esperava uma reação mais intensa. Um tapa na cara, talvez.
Fiquei um pouco surpresa com suas palavras. Afinal, isto não era nenhum segredo. Ele havia errado. Eu apenas o deixei ir. - Respondi.
- Sabe eu... Eu temi este encontro. Tive receios de não me conter.
- De não se conter? – interroguei-o
- De te beijar. – Abaixei a cabeça, pois eu sentira o mesmo. Mas, na verdade, o medo estava mais pelas conseqüências dos sentimentos.
- Eu era tão novo, sabe... Até que percebi que eu não perdi nada a não ser você.
Escutei cada palavra. Era tudo o que eu desejava ter escutado.
- Você foi o meu primeiro amor. – comentei.
- Eu queria ser o último.
- Passaram-se 5 anos... – lembrei de todos os nosso momentos, até ali.
Ambos esperamos. Mas, nenhum dos dois fora corajoso o suficiente para tentar de novo. O tempo caiu por entre os dedos...
Naquela manhã, anos atrás, ao fim das aulas. Escutamos a nossa música e ela fazia mais sentido agora...
“Now your pictures that you left behind
Are just memories of a different life
Some that made us laugh
Some that made us cry
One that made you have to say good bye”
Levantei- me o mais rápido possível evitando qualquer aproximação. Ele continuara sentado, mas não fitei suas feições. Pensei se jogaria tudo ao alto e o beijaria como naquela manhã, se valeria amá-lo outra vez. Reviver aqueles dias interrompidos...
Eu sabia que ainda o amava, sabia que jamais poderia esquecê-lo e que mesmo na dor ele me provara que o amor era para sempre.
Abracei-o ainda sentado e sabia que ele ainda continuava a espera de algo meu. Beijei os seus cabelos em meu último adeus.
- Passou tanto tempo... - as minhas lágrimas o umedeceram - Mas, eu sei que enquanto eu viver, você estará em meus pensamentos.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Maioridade
O cheiro do café inundava o ambiente.
“Segurar; Fixar; Assentar; Fundar... Firmar!?
Firmar!? – Isso. – sussurrei aliviada
Aprontei-me, rapidamente, eram quase duas da tarde e a hora se aproximava.
A blusa era de uma brancura quase transparente, receio de demonstrar qualquer impureza na alma... Pois tudo o que é mais justo ele havia me ensinado no decorrer daqueles 20 anos. Os cabelos pendiam no alto, estilo professora de 2º grau; usava uma saia comportada, mas curta o suficiente para as lembranças das primeiras dores, das primeiras cicatrizes...
Lembrara-se ao ouvir os seus passos na escada, do dia em que colocou-me com todo cuidado em seus braços e levou-me ao hospital...
- Luxação de patela – dissera o médico.
- Você vai melhorar – Não sabia que lutava tão bem! Mais um minuto em pé e você acertava ela!
Ainda na maca escutei quando o chamaram:
- Ela não poderá lutar mais. Rompeu os ligamentos e torceu o joelho esquerdo. Vai precisar de cirurgia!
- Ela vai lutar, sim ! – sussurrou em seguida.
Vi o orgulho em seus olhos. Quisera, então, parecer o máximo segura, adulta e inteligente possível, naquele momento.
- Pai?! Queria lhe falar algo...
- Vai sair? – respondeu com indiferença.
- Não, não...
- É que... Eu estava conversando com Victor e ele falou que gostaria... Hum... queria FIRMAR um compromisso comigo...
Seus olhos fitaram-me quase sem demora. Era o mesmo olhar que vi, naquele clássico há tantos anos atrás.
Um time, de pouca importância, ganhava de 2x0 para o Esporte Clube e sua expressão desafiava qualquer pobre torcedor que ousasse contrariar seu sangue rubi. Após este jogo o Verdão enfrentaria o Cruzeiro e a minha animação era maio que o seu desânimo. Contando os minutos para o fim do jogo. Após 15, sem sucesso, pegou-me pela mão e afastou-me da multidão enlouquecida.
- Pai...? O Palmeiras agora! – meus olhos reluziam a luz dos holofotes. Sorte minha não serem castanhos. Ele esperou um pouco, contorceu os lábios e disse:
- Eles estão fazendo uma boa temporada, mas a revanche no Espinheiro vai ser boa! – gargalhou enquanto alguns jovens se afastavam. O juiz apitava o início do primeiro tempo.
Sabia que momentos assim não voltariam. Eu havia crescido. E pagaria pelos meus ingressos desta vez.
