sábado, 27 de fevereiro de 2010

Somos história (Ele)

Somos história
Ainda não contada,
Letras apenas,
Escritas dia após dia.

Uma máscara polida
Empoeirada páira,
Dentro de nossas cabeças,
Retorcendo-se sob ira e paixão.

Vivemos a guerra
De fazer o que precisamos,
As várias idéias contradizem-se,
Digladiando e pintando nossos sonhos.

Pouco a pouco morremos,
Somos vencidos pela rotina.
Deitar a tarde e dormir plenamente
Torna-se um sonho feliz.

E assim destrói-se
A natureza humana, o talento!
Descansamos sob relva e sob sombra.
Criatividade abandonada ao relento.

Vou vivendo a procura
De um beijo sequinho,
Lábio macio,
Selva intrigante em cada gesto.

Quero brotar o meu raciocínio,
Instigando-o na sensualidade inocente
Com pitada de tarde poente,
E cheiro de terra molhada.

(Sérgio Filho)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Não te deixes...

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e plante roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que ao de vir.
Esta fonte é para o uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves o seu uso
a aos que tem sede.

(Cora Coralina)