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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Agora é tarde

O que procuras? Já não te disse que meu coração já não mais te pertence. Em meu peito bate agora um amor veloz, dilacerador, que arrebata os sentidos.
Palavras? Tuas palavras não fazem mais sentido. Acaso elas carregariam tuas atitudes não tomadas? Agora é tarde... não se pode voltar atrás do leite derramado, não há como resgatar-me, como te disse meu coração pertence a outro. Outro esse que me deu atenção, não me encheu apenas com palavras doces, mas executou cada uma das tais. Sinto muito, um dia te desejei demais, te quis demais, não via outro se não você. Agora é tarde!!!
Ah, como seria bom se voltasse a sentir por você todo ardor que um dia senti. Sentir minha pele arrepiar ao estar em teus braços, sorrir com tua chegada... queimar de amores por ti, te desejando desesperadamente. Agora não! Agora é tarde!

sábado, 19 de setembro de 2009

A viuvinha

"Depois, com as mãos entrelaçadas, iam ambos sentar-se a um canto do jardim, onde a sombra era mais espessa, e aí conversavam baixinho um tempo esquecidos; ouvia-se apenas o doce murmúrio das vozes, interrompidas por esses momentos de silêncio em que a alma emudece, por não achar no vocábulo humano outra linguagem que melhor a exprima.
A rulhar destes dois corações virgens durava até oito horas da noite, quando uma senhora de certa idade chegava a uma das janelas da casa, já tão iluminada, e, debruçando-se um pouco, dizia com a voz doce e afável:
- Olha o sereno, Carolina!"

(A viuvinha, José de Alencar)