quarta-feira, 7 de abril de 2010

Reencontro

Queridas amigas,

Foi muito bom ter encontrado-as hoje, de forma inesperada e para fins outros, isso acabou renovando-me e fazendo-me perceber o significado da amizade. A amizade é uma planta imortal, pois mesmo quando vem a morrer visivelmente aos olhos humanos, parte de sua raiz continua a viver esperando bom tempo para uma nova brotagem. Isso ocorre mesmo que os elementos responsáveis por mater-lhe a vida se distanciem ou aplique-lhe uma dosagem incoveniente para a sua sobrevivência: o sol queime suas folhas com um teor de calor provocado pelas altas temperaturas do stress diário; a chuva caia constantemente, sem tréguas, afogando-a em poças de lamentações; a terra tranforme-se em enormes pedregulhos de rancor e o vento passe a soprar em outros horizontes.

Esse encontro, embora curto, foi bastante significativo para mim, especialmente por ver Emília. Ah, Emília, quanto vigor e delicadeza, tão bela e tão cheia de vida! Em outros tempos, o que seria de mim sem a sua alegria? Meus lamentos por suas emoções mal resolvidas (e qual o ser humano que não as têm?) e minhas felicitações por tê-la novamente em nosso meio.

Queridas amigas, em nome da nossa amizade sinto a necessidade de padir-lhes perdão. Perdão pelas palavras ditas, reprimidas e incompreendidas; perdão pelas alegrias e tristezas; presença e ausência; pelos gestos indevidos nos momentos oportunos. Vocês são para mim sinônimo de confiança! E por falar em confiança, perdão mais uma vez por ficar em falta ou possui-la em demasia. O tipo de relação que pretendo ou ao menos gostaria de ter com vocês não é superficial, mas eterna conforme as nossas forças. E acreditem, com a pouca força que temos somos capazes de alcançar o infinito!

Abraços,

Lúcia

domingo, 21 de março de 2010

odassaP

Hoje, 22 de fevereiro de um ano qualquer, estou eu aqui, sentada na velha cadeira da varanda com o "Desassossego" nas mãos, perfurando as células imagéticas, como a chuva a terra fofa, dos meus vinte e tantos anos.

Vinte e tantos anos e um álbum de registros ainda tão insignificantes para alguns e quase inalcançável para os que acabam de nascer. Expressividade incontrolada, personalidade duvidosa. Vinte e tantos anos de felicidade com o pouco e infelicidade por quase nada. Muitos erros, inperceptíveis acertos. Vinte e tantos anos que se acabam com essa dor que se alastra e percorre as artérias de minha existência, rompendo-as com a insenção fria e irredutível.

Ah, se eu tivesse uma nova chance para viver! Certamente veria o mundo com outros olhos e saberia dar mais valor as coisas que passa sem o mundo perceber: minha mãe seria o ser mais precioso da terra com quem manteria uma relação sem conflitos; teria mais tempo para os amigos, o que não me permitiria ter dúvidas se ainda os tenho hoje; passaria mais tempo a observar o mar, o cantar dos pássaros, um belo dia de sol ou a chuva a brotar a terra, um sorriso de uma criança; o alguém especial que hoje compõe minha vida ganharia destaque e o amor palpitaria sem fim ou dúvidas; Deus...

Pena que a vida não volta atrás, mas suas cicatrizes permanecem presentes em cada segundo do futuro, sempre rodeadas por abrutes que esperam ansiosos uma reabertura das feridas.

Intricado recomeço!...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Somos história (Ele)

Somos história
Ainda não contada,
Letras apenas,
Escritas dia após dia.

Uma máscara polida
Empoeirada páira,
Dentro de nossas cabeças,
Retorcendo-se sob ira e paixão.

Vivemos a guerra
De fazer o que precisamos,
As várias idéias contradizem-se,
Digladiando e pintando nossos sonhos.

Pouco a pouco morremos,
Somos vencidos pela rotina.
Deitar a tarde e dormir plenamente
Torna-se um sonho feliz.

E assim destrói-se
A natureza humana, o talento!
Descansamos sob relva e sob sombra.
Criatividade abandonada ao relento.

Vou vivendo a procura
De um beijo sequinho,
Lábio macio,
Selva intrigante em cada gesto.

Quero brotar o meu raciocínio,
Instigando-o na sensualidade inocente
Com pitada de tarde poente,
E cheiro de terra molhada.

(Sérgio Filho)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Não te deixes...

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e plante roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que ao de vir.
Esta fonte é para o uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves o seu uso
a aos que tem sede.

(Cora Coralina)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Setembro




Maldito, visão que odeio

Do egoísmo mais que bélico
Em tu repousa o meu anseio
Meu piedoso veneno benéfico

Dia raro aquele minuto que vi
Tão perto quanto a um passo
Do acaso à setembro, fim
De igual valor é o descompasso

Sublime descrição da ternura
Impenetrável redenção do amor
Se fácil fosse como eu gostaria
Não trarias felicidade, ó dor

Se eu ganhar-te com um beijo
Conscientemente eu saberia
Por não dominar meu desejo
Ao ganhar-te eu me perdia.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Metade... (Ele)

Teu sorriso é brisa leve
Que alivia esta vida,
Tua pele quente contagia...
Tão macia tão bonita.

Quando penso em você
Pára o tempo e a existência,
Perco o rumo por viver
Com você na consciência

Toda via é preciso
Que tu saibas minha dor.
Ser humano e não de ferro,
Sofro o silêncio do amor.

Em silêncio absoluto
Guardarei com muito medo,
Pois te amo e não consigo
Revelar este segredo.

(Sérgio Filho ao Chá das Qu4tro)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Nosso Chá das Qu4tro



Queridas,


Há muito não as vejo e já não sei o que se passa. Os dias no campo são tranquilos e as férias de verão deixaram-me absorta em meus romances que já se tornaram desculpa para aquietar este coração ansioso. Mas, a cada página lida meus desejos clamam pelas presenças de minhas doces companheiras.

Minhas tardes são preenchidas com Valete em longos passeios e terminam com a leitura de um livro sentada, no balanço, da velha casa abandonada da família Quilson. Algumas noites jantares são oferecidos à novidade desta pequena cidade. Imaginem todas as minhas forças, para agradar meu avô, na presença de tantos olhares ambiciosos?

Não sei se o melhor seria voltar...Por mais que tanto deseje vê-las. Entretanto, a corte não parece-me o lugar ideal, agora. Preciso estar um pouco mais aqui, longe de tudo, longe de todo o ano que passou. Vocês precisam ver o amanhecer entre estas montanhas é tão belo e inunda-me de vida a cada instante.

Troquei os chapéus pelos cabelos soltos e um pouco mais curtos que foram censurados, em princípio, pelo meu avô que depois se desmanchou em um largo sorriso e falou-me:

"- Menina tola... Perdeu teus cachos!"

Sentirei falta de sua gargalhada virtuosa, mas muitos dias ainda chegarão. Tanto para realizar, tanto a contar-lhes de sonhos, o quanto diferente me encontro e o que aprendi no silêncio. Em alguns meses nos veremos e retomaremos o nosso Chá das Qa4tro... Escureceu um pouco e nem passa das cinco... Acho que se aproxima uma chuva de verão.

Preciso levar Valete ao estábulo...

Abraço-lhes com toda a minha força,

Aurélia.