terça-feira, 22 de setembro de 2009

Carta

Queridas amigas,

Perdoe-me por ter faltado ao nosso chá das quatro, ontem. Não sabem o que se passou. Imagino a face de minha doce Carolina ao querer contar-me de sua casa recém construída.Ou o abraço de Mila, que me faz sentir-se acolhida a todo instante. Tenho visto a Lúcia com mais frequência, pelas ruas do Ouvidor, sempre absorta em seus pensamentos, mas com o olhar penetrante em seus objetivos como se um breve desvio lhe incubisse a derrota. Queria ter toda a coragem desta, a felicidade eterna de outra e o coração seguro de Emília.
Estava eu a passear pelos campos e o encontrei. Não sei lhes dizer o que senti. Talvez vergonha por não ter enfrentado a situação, os seus olhos estavam lá... Pela mulher que desejei ser não teria baixado a cabeça. Isto eu não me perdoarei. Mas, esperem, por favor, não me censurem. Aproveitei uma distração dos olhares em volta e o chamei, delicadamente, para estar comigo abaixo de um Ipê. Acompanhou-me meio receoso, porém, percebi um sorriso em seus lábios. E senti medo. O que ele espera de meu coração?E o que espero do seu?


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